blog de neve

a propósito do efeito de "bola de neve" das conversas que são como as cerejas

sexta-feira, abril 08, 2005

O regresso à escrita

O acto de escrever pode ser importante. E se as minhas conversas continuam cada vez mais "fluidas", o trabalho e as aulas conduzem a um beco sem saída: a falta de tempo.

Os textos que escrevia, e enchiam cadernos, começam a amarelecer. Há um tempo para tudo. E agora não é tempo de criar. Mas de produzir. Com o calor que está, talvez me derreta. Mas garanto que tudo farei para regressar ao congelador de novo.

Porque a vida não é só feita de coisas novas, nem bem dispostas, deixo aqui um retalho de 4 de Setembro de 2003, quando um estranho vazio me invadia... e que parece ter sido esquecido.

Deixo que lágrimas brinquem nos meus olhos.
Dizem ser úteis para lavar a alma.
Mas que fiz eu para ter a alma tão suja,
que necessita ser lavada?

Escuto sussurros de momentos futuros,
Que nada dizem por nada saberem sentir.
E a cada passagem de minuto no relógio,
Perdi a oportunidade de dizer a alguém
que amo.

Mas ninguém sabe que a perdeu.
A não ser eu.
E espero que o relógio pare, e me console,
lembrando-me do tempo que não tenho,
Esquecendo-me da solidão que sou.

[...]

Continuo sem tempo. Mas já não sou solidão.
E continuo a achar que as palavras escritas à mão, se escutam com mais clareza.
...e se podem ler mesmo quando apenas existe a luz de velas.

" 'Oscar-wildianamente' ingénuo", "com um deslumbramento pueril pela humanidade"... a quem me diz isso, sobre mim, só posso recordar as palavras de outra Pessoa: "Tudo vale a pena"...

Será que existem upgrades para a Alma? Ou será que todos nascemos iguais, e vamos downgrading a pouco e pouco... até esquecermos a criança que o próprio Nietzsche refere como o estádio mais evoluído do ser humano? Nem Camelo, nem Leão, regresso à infância.

Sorriam.