Dias de cinza
Estes últimos dias foram a recordação de quase todos os fantasmas e pesadelos. E num espaço que se pretendia ligeiro, ficam pedaços de trabalhos que foram realizados no âmbito de uma das coisas que (ainda) justificam uma vontade se ser mais forte que a adversidade.
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Steve Mason é cidadão do Oregon e, em Dezembro de 2004, ficou na posse de quatro frasquinhos de Nembutal a serem usados quando escolha o dia para reunir os seus amigos, partilhar e distribuir os seus pertences e sorrisos entre eles, despedir-se uma última vez, e talvez escutar Louis Armstrong cantar “What a Wonderful World”.
“I’ve lived my life with dignity; I want to go out the same way.”
In TIME Magazine
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Será um crime ou um privilégio cumprir todos os últimos desejos no momento em que se deseja, e não quando o seu cancro de pulmão determine?
A vida está cheia de opções.
Talvez uma vida sem opções não seja vida.
E talvez, por isso, viver seja algo ligado ao uso do livre arbítrio.
A falta de possibilidade de uso do mesmo, é atentado à nossa liberdade.
Liberdade associada a responsabilidade.
O contrário de "estar vivo" não é "estar morto", afinal...
É "estar prisioneiro de escolhas alheias".
Tomar as rédeas do nosso próprio destino, segundo Foucault, corresponderá a "viver"?
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Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades pr'ós outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força pra pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força pra pouco dinheiro
Que força é essa [bis]
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo [bis]
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo [bis 3]
Não me digas que não me compr'endes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compr'endes
Letra e música: Sérgio Godinho
In "Sobreviventes"; 1971
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Quem não consegue fugir das grilhetas, quem vive prisioneiro numa jaula de sofrimento, tem sempre uma opção pela liberdade. Nem que seja a última.

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