Esquecido num caderno
Quando Eugénio de Andrade nos deixou, escrevi algo num caderno, daqueles rabiscos incoerentes que, meses depois, parecem pertencer a outra pessoa porque o sentimento que os levou à escrita já faz parte do passado.
Enviei por mail a uma Amiga, depois de ter dado a ler a outra. Acho que é mais simples ficar aqui, e ficar acedível noutro local que não a minha memória.
“Morreu alguém a quem pedia emprestadas palavras para oferecer a quem o coração me ditava. As palavras ficam. O sentimento, também. Nada se perdeu, a não ser o seu criador. A sua obra está, toda inteira, na mente e no coração de quem o soube ler e escutar. E, como ele, amar.”
E fiquei com uma imagem no cérebro, que espero traduzir em imagens um destes dias.
“Nada mais do que um seixo, largado nas praias da vida pelo Oceano do Destino, e que voltará a ser areia quando as ondas do Acaso finalmente o despedaçarem, ou largarem mais pedaços de si pela praia, onde novos seixos se irão formar.”
Entre o pó que fomos, e voltaremos a ser, nada como aproveitar os dias enquanto seixos, e a dádiva que é o Presente.

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