blog de neve

a propósito do efeito de "bola de neve" das conversas que são como as cerejas

quarta-feira, abril 26, 2006

O dia seguinte

E depois do dia da liberdade, o regresso à vida normal. Coisas que correm bem, e outras que correm mal.

Irrita-me viver num país com tantos problemas, em que os factos importantes parecem ser:
- a falta de cravo no presidente da república (tão relevante quanto a ausência de terço na mão de um celebrante de missa no santuário de Fátima, a 13 de Maio.. digo eu);
- a forma de desaparecimento de uma personagem da série "Morangos com Açúcar" protagonizada por uma vítima de acidente na estrada.

Eu acho que nos devíamos todos unir, isso sim, para reclamar junto do Dan Brown por ter criado um assassino português tão metódico, em "Fortaleza Digital" - o único traço lusitano é o de transmitir como "cumpridas" tarefas ainda em execução, porque de resto mais parece um mercenário vilão saído dos primeiros filmes de Jackie Chan.

terça-feira, abril 18, 2006

A constante da melancolia

As saudades do passado são inversamente proporcionais às esperanças no futuro.

Numa perspectiva gravítica, o índice de esperança (ou saudade) é resultado do produto das expectativas criadas pelas realidades alcançadas a dividir pelo quadrado dos dias em que parece possível unir o expectável ao concretizável.

Simplificando: não vale a pena ter esperança por algo que já passou... nem por algo que possa vir a passar. Há, isso sim, que caminhar até onde se puder.

Mais: esperar, cansa... mais ou menos o que, contraído, resulta em "esper-ansa", próprio de criatura mansa. Quem se quer imune às mundanices estereotipadas tem de saber ser "selvagem", de saber aceitar duas coisas: que a vida é uma selva que percorremos em viagem, dividida por um rio no qual nem sempre existe margem.

It's better to swim than to dig... or to be digged in.

quarta-feira, abril 05, 2006

Esquecido num caderno

Quando Eugénio de Andrade nos deixou, escrevi algo num caderno, daqueles rabiscos incoerentes que, meses depois, parecem pertencer a outra pessoa porque o sentimento que os levou à escrita já faz parte do passado.

Enviei por mail a uma Amiga, depois de ter dado a ler a outra. Acho que é mais simples ficar aqui, e ficar acedível noutro local que não a minha memória.

“Morreu alguém a quem pedia emprestadas palavras para oferecer a quem o coração me ditava. As palavras ficam. O sentimento, também. Nada se perdeu, a não ser o seu criador. A sua obra está, toda inteira, na mente e no coração de quem o soube ler e escutar. E, como ele, amar.”

E fiquei com uma imagem no cérebro, que espero traduzir em imagens um destes dias.

“Nada mais do que um seixo, largado nas praias da vida pelo Oceano do Destino, e que voltará a ser areia quando as ondas do Acaso finalmente o despedaçarem, ou largarem mais pedaços de si pela praia, onde novos seixos se irão formar.”

Entre o pó que fomos, e voltaremos a ser, nada como aproveitar os dias enquanto seixos, e a dádiva que é o Presente.

As razões das coisas

Tudo o que acontece pode ter uma razão, ou não. Tal como a minha experiência com o blog teve uma razão simples - saber como me sentiria por escrever algo que podesse ser lido, ou não, por outras pessoas. Mas essa razão passou depressa... e o blog hibernou.

É Primavera. Está na hora de abandonar a cova escura e enfrentar a luz do dia. E descobri o que quero fazer com este espaço: deixar aqui pequenos textos que falem do meu mundo, da minha versão da realidade.

Deixei aqui pedaços de luz, mas também de negro. Pensei em apagar alguns mas... na vida também não podemos apagar os momentos maus e recordar apenas os bons. Em vez de apagar o cinzento, deixá-lo ser submerso pela luz e cor.

Portanto, como a expressão "Faça-se Luz" já foi usada, acrescento: Faça-se Cor.